Canto Botânico
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Nº 218 · Exterior · Florífera · Dramática

Chá-de-velho

Leonotis leonurus (L.) R.Br.

Os verticilhos alaranjados do chá-de-velho surgem ao longo da haste como anéis de fogo, dispostos em camadas que lembram uma coluna vertebral botânica. Na África do Sul, é planta cerimonial e medicinal; no Brasil, se naturalizou em áreas abertas e virou referência de jardim exótico para quem quer impacto visual sem complicação.

Lamiaceae África do Sul Naturalizada BR Subarbustiva
Condições ideais

O que o Chá-de-velho pede de você.

Luz
Sol pleno
Ama sol direto. Na sombra, cresce estiolado e não floresce.
Rega
Baixa a moderada
Tolerante à seca. Regue quando o substrato estiver completamente seco.
Umidade
Baixa
Prefere clima seco. Umidade excessiva favorece fungos.
Temperatura
15-30 °C
Sobrevive a geadas leves. Em regiões muito frias, morre ao nível do solo e rebrota.

Planta de sol, de verdade

O chá-de-velho não faz pose — precisa de sol direto para florescer. Mas em troca, é das plantas mais tolerantes à seca que existem. Uma vez estabelecido, quase se cuida sozinho.

  1. Escolha o local mais ensolarado do jardim. Meia-sombra não serve.
  2. Solo arenoso ou pedregoso, bem drenado. Não tolera solo encharcado nem argiloso pesado.
  3. Regue apenas quando o substrato estiver completamente seco. Na estação chuvosa, pode não precisar de rega suplementar.
  4. Podas drásticas no final do inverno rejuvenescem a planta e estimulam brotação basal vigorosa.
  5. Adubação mínima — composto na primavera é suficiente. Solo muito rico produz folhas às custas das flores.

Uso tradicional

Na África do Sul, o chá das folhas e flores é usado há séculos para tosse, gripe, febre e como calmante. O nome leonurus ("leão") vem da aparência das inflorescências, que lembram uma juba. Estudos identificaram leonurina, um alcaloide com ação farmacológica documentada em modelos in vitro.

Das savanas sul-africanas ao mundo

O Leonotis leonurus é nativo das províncias do Cabo, na África do Sul, onde cresce em margens de rios, encostas rochosas e savanas abertas. Faz parte da flora do fynbos, um dos biomas mais biodiversos do planeta.

Os povos Khoisan, Xhosa e Zulu usam a planta há milênios — como chá medicinal, em rituais de cura, e como calmante. Os primeiros colonizadores holandeses aprenderam com os nativos e levaram sementes para a Europa no século XVII.

No Brasil

No Brasil, se naturalizou principalmente no Sudeste e Sul, onde é popularmente chamada de chá-de-velho, leonotis ou dente-de-leão (confusão comum com Taraxacum). A planta se espalha por sementes em áreas degradadas e beiras de estrada, competindo com vegetação nativa — motivo de preocupação em algumas regiões.

Sementes e estaquia

Os dois métodos funcionam bem. Sementes são fáceis de coletar das flores murchas — cada verticilho produz dezenas. Estaquia é mais rápida para quem quer resultado imediato.

  1. Sementes: Colete os verticilhos secos na primavera. Semeie em bandeja com substrato leve, cobrindo levemente. Germinação em 2-4 semanas.
  2. Estaquia: Corte ramos semilenhosos de 10-15 cm com 2-3 pares de folhas. Remova folhas inferiores e coloque em substrato úmido.
  3. Enraizamento em 3-4 semanas. Transplante quando as mudas tiverem 15-20 cm.
  4. Também é possível dividir touceiras de plantas adultas no início da primavera.

Sinais e como responder

Base escura e mole
Podridão radicular
Reduza rega drasticamente. Melhore drenagem. Corte partes afetadas.
Folhas com mofo branco
Oídio
Melhore aeração entre plantas. Evite molhar folhas. Use sulfato de cobre se persistir.
Crescimento fraco, sem flores
Falta de sol
Mova para sol pleno. Se for vaso, transfira para o jardim.
Haste rachada ou tombada
Vento forte ou peso
Use tutor. Poda de formação reduz a altura e aumenta estabilidade.
Folhas com pontas secas
Frio intenso
Proteja com mulch no inverno. Em geadas, cobrir com tecido não tecido.
Ácaros nas folhas
Ácaro-rajado
Aumente a umidade ao redor. Pulverize com óleo de neem.
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