Canto Botânico
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Nº 070 · Interior · Suculenta florífera

Kalanchoê

Kalanchoe blossfeldiana Poelln.

Presente de loja que vira paixão de colecionador. O Kalanchoê comercial desabrocha em cachos de flores que parecem mais pintadas do que reais — laranja, rosa, vermelho, amarelo — e depois de florir, descobre-se que a planta é ainda mais interessante que as flores.

CrassulaceaeMadagascarSuculentaFlorífera
Condições ideais

O que o Kalanchoê pede de você.

Luz
Direta brilhante
Necessita de luz intensa. Para florir, precisa de dias curtos (noites longas).
Rega
Baixa
Deixe o substrato secar entre regas. Folhas carnudas armazenam água.
Umidade
Baixa
Ambiente seco. Pulverizar não é necessário e pode causar problemas fúngicos.
Temperatura
15-25 °C
Temperaturas amenas favorecem a floração. Abaixo de 10°C sofre.

A planta que floresce nos dias curtos

O segredo do Kalanchoê é a fotoperiodicidade: ele é uma planta de dia curto. Isso significa que floresce quando as noites têm mais de 12 horas — na natureza, no outono e inverno de Madagascar. Dentro de casa, reproduzir esse ciclo é a chave para ver os cachos coloridos voltarem ano após ano.

  1. Após a floração, corte as hastes florais murchas na base. Isso redireciona energia para o crescimento vegetativo.
  2. Mantenha em luz forte e regue quando o substrato estiver seco. Na primavera e verão, é a fase de crescimento — adube com fertilizante diluído mensalmente.
  3. Para induzir nova floração, a partir de outubro, coloque a planta em completa escuridão por 14-16 horas por noite (cobrindo com caixa ou movendo para um quarto sem luz). Luz artificial à noite interrompe o processo.
  4. Mantenha essa rotina de dias curtos por 6-8 semanas. Os botões florais começarão a se formar. Após isso, volte ao cuidado normal.
  5. Evite regar por cima das folhas — água nas rosetas favorece podridão. Regue sempre na base da planta.

Sinais de que está feliz

Folhas firmes, de cor verde intensa com bordas levemente serrilhadas e avermelhadas. Botões florais formando no topo das hastes na estação certa. Crescimento compacto — se esticar demais, precisa de mais luz.

De Madagascar para as floriculturas do mundo

O Kalanchoe blossfeldiana é nativo de Madagascar, onde cresce em regiões secas e rochosas da parte sul da ilha. Foi descoberto pelo botânico alemão Robert Blossfeld em 1932, que trouxe sementes para a Europa e selecionou as melhores linhagens para cultivo comercial.

O nome do gênero Kalanchoe vem de uma transcrição chinesa — possivelmente do cantonês kalan chau ou do hindu — e reflete a rota comercial por onde as primeiras espécies asiáticas chegaram à Europa. A espécie específica blossfeldiana homenageia Blossfeld.

A indústria do Kalanchoê

A partir dos anos 1960, o Kalanchoê se tornou uma das plantas floríferas de vaso mais comercializadas do mundo. Cultivares modernos florescem em dezenas de cores e mantêm os cachos por semanas. Hoje, Países Baixos, Dinamarca e Alemanha são os maiores produtores comerciais. No Brasil, é presença garantida em qualquer floricultura — mas poucos sabem que com os cuidados certos, ela volta a florir todos os anos.

Estaquia de folha e de haste

Como toda Crassulaceae, o Kalanchoê é generoso na propagação. Folhas e hastes enraízam com facilidade, e a planta ainda produz plantulas nas margens das folhas em algumas espécies (embora K. blossfeldiana não seja uma delas).

  1. Por folha: Destaque uma folha saudável da haste inferior. Coloque sobre substrato úmido sem enterrar — apenas apoie. Em 3-4 semanas, surgem raízes e pequenas plântulas na base.
  2. Por haste: Corte um segmento de haste com 8-10 cm e 2-3 pares de folhas. Remova as folhas inferiores e enterre a base em substrato úmido. Raízes em 2-3 semanas.
  3. Mantenha as mudas em luz indireta e substrato levemente úmido até estabelecerem. Depois, trate como planta adulta.
  4. A propagação por semente é possível mas lenta e raramente usada por colecionadores — as flores são polinizadas na natureza por borboletas.

Sinais e como responder

O Kalanchoê é resistente, mas desvios de cuidado se manifestam rápido nas folhas e nas flores.

Folhas amarelando e caindo
Excesso de água
Reduza a rega. Verifique drenagem do vaso. Se substrato encharcado, considere troca.
Não floresce
Luz artificial à noite
Garanta 14-16 horas de escuridão por noite por 6-8 semanas. Qualquer luz no período noturno interrompe a indução.
Folhas esticadas e alongadas
Etiolamento
Mova para local com mais luz. Pode podar para compactar, mas as folhas alongadas não voltam ao normal.
Manchas escuras nas folhas
Fungo (Cercospora) ou queimadura
Remova folhas afetadas. Melhore ventilação. Evite molhar folhas ao regar. Se persistir, fungicida cúprico.
Cochonilha na base das folhas
Cochonilha-branca
Álcool 70% com cotonete nos focos. Em infestação forte, óleo de neem diluído ou inseticida sistêmico.
Botões caindo antes de abrir
Mudança brusca de local ou temperatura
Evite mover a planta após os botões se formarem. Mantenha temperatura estável entre 15-22°C.
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