Canto Botânico
Voltar ao glossário
Nº 026 · Exterior · Porte alto

Taro

Colocasia esculenta (L.) Schott

O Taro é uma das plantas alimentícias mais antigas da humanidade — cultivada há mais de 7 mil anos na Ásia, alimentou civilizações antes do arroz dominar os campos. Suas folhas enormes em forma de escudo se abrem como asas sobre pântanos e margens de rio, criando sombras densas onde pouco mais cresce. Os rizomas, cozidos, são alimento básico em grande parte dos trópicos.

Araceae Índia · Sudeste Asiático Comestível (rizoma cozido) Herbácea
Condições ideais

O que o Taro pede de você.

Luz
Sol pleno a meia-sombra
Aceita sol direto na manhã. Sombra parcial à tarde nas regiões quentes.
Rega
Abundante
Ama solo encharcado. Na natureza cresce em pântanos e margens de rio.
Umidade
Muito alta
Planta de ambiente úmido por excelência. Não tolera ar seco prolongado.
Temperatura
20-30 °C
Tropical. Crescimento para abaixo de 15°C. Rizoma morre com geada.

A planta que pede água sem vergonha

O Taro é uma das poucas plantas que realmente precisa de água abundante — não é exagero dizer que ela prefere o solo encharcado ao apenas úmido. Na natureza, cresce em áreas alagadas, margens de rios e pântanos tropicais. Em jardim, funciona até em canteiros com lâmina de água.

  1. Mantenha o solo constantemente úmido. Em climas quentes, pode precisar de rega diária.
  2. Adube generosamente — é planta que consome muitos nutrientes para produzir folhas grandes e rizomas. NPK rico em nitrogênio a cada 3-4 semanas.
  3. Em regiões com inverno frio, os rizomas podem ser desenterrados e armazenados em local seco e escuro até a primavera.
  4. Plantio em solo rico em matéria orgânica, que retenha água mas drene o suficiente para não apodrecer as raízes.
  5. Evite ventos fortes — as folhas grandes são frágeis e rasgam com facilidade.

Importante: toxicidade

As folhas e rizomas crus contêm oxalato de cálcio e são tóxicos. O rizoma se torna seguro para consumo apenas após cozimento prolongado — fervura por no mínimo 30 minutos. Nunca consuma cru. As folhas também podem ser consumidas cozidas.

Mais antiga que a agricultura

O Taro é uma das primeiras plantas domesticadas pela humanidade. Evidências arqueológicas apontam cultivo no Himalaia oriental e na Indochina há mais de 7.000 anos — anterior ao arroz, à batata e ao milho em muitas regiões. Alimentou gerações no sudeste asiático, na Polinésia, na África e nas Américas.

A origem exata é debatida — alguns pesquisadores apontam a Índia, outros o sudeste asiático continental. A planta se espalhou naturalmente por toda a região tropical do globo, carried by Austronesian voyagers who brought it across the Pacific. No Havaí, o Taro (kalo) é planta sagrada — acreditava-se que era o irmão mais velho da humanidade.

No Brasil

Embora não seja nativa, a Colocasia se naturalizou em várias regiões do Brasil, especialmente em áreas úmidas. É cultivada comercialmente para produção de farinha e consumo in natura em algumas comunidades. Também é popular como paisagismo tropical em jardins e lagos ornamentais.

Divisão de rizoma

O método mais simples e eficiente. O rizoma é a parte grossa e carnuda do caule subterrâneo — basta cortar pedaços com brotos ("olhos") e plantar.

  1. Desenterre o rizoma na primavera ou início do verão.
  2. Corte em pedaços de 5-8 cm, cada um com pelo menos um broto.
  3. Deixe cicatrizar por 24h em local seco e sombreado.
  4. Plante a 5-10 cm de profundidade em solo úmido e rico em matéria orgânica.
  5. Mantenha encharcado. A brotação leva 2-4 semanas.

Também por bulbilhos

Algumas variedades produzem bulbilhos nas axilas das folhas — pequenos brotos que podem ser separados e plantados diretamente no solo úmido.

Sinais e como responder

Folhas murchas mesmo com solo úmido
Podridão de rizoma
O solo encharcado sem drenagem apodrece os rizomas. Melhore a drenagem imediatamente.
Folhas amarelas e com manchas marrons
Fungo Phytophthora
Remova folhas afetadas. Evite respingos. Melhore circulação de ar.
Crescimento lento com folhas pequenas
Falta de nutrientes ou frio
Adube com nitrogênio. Se for inverno, é dormência normal.
Folhas rasgadas ou com buracos
Vento ou insetos
Proteja do vento. Inspecione para lagartas e besouros.
Pulgões na face inferior das folhas
Infestação comum em clima úmido
Água com sabão neutro. Predadores naturais como joaninhas ajudam.
Pé-d'água nas folhas (manchas circulares)
Fungo Cercospora
Remova folhas afetadas. Reduza umidade sobre as folhas — regue na base.
Próximas leituras