Plantas tóxicas em casa — guia de segurança
Muitas das plantas mais populares em interiores são tóxicas para humanos e animais. Não é preciso eliminar todas — basta saber identificar os riscos.
As plantas de interior são populares por purificar o ar (embora essa capacidade seja frequentemente superestimada) e por decorar ambientes. Mas muitas espécies comuns produzem compostos químicos de defesa que podem causar reações adversas quando ingeridas ou, em alguns casos, quando tocadas.
As mais perigosas
Lilium spp. (lírio) — qualquer parte da planta, incluindo o pólen, pode causar insuficiência renal aguda em gatos. A toxicidade felina dos lírios é bem documentada e potencialmente fatal com ingestão de pequenas quantidades. Para humanos, o risco é consideravelmente menor.
Nerium oleander (oleandro) — todas as partes da planta contêm glicosídeos cardíacos (oleandrina) que afetam diretamente o coração. A ingestão pode causar arritmias, náuseas e, em casos graves, parada cardíaca. Mesmo a fumaça da queima de galhos de oleandro pode ser tóxica.
Dieffenbachia spp. — contém oxalato de cálcio em forma de ráfides microscópicas que, ao serem mastigadas, penetram os tecidos da boca e garganta causando dor intensa, inchaço e dificuldade respiratória. A reação é mecânica (microcristais perfurantes) e química (liberação de histamina). Crianças pequenas são o grupo de maior risco.
Philodendron spp. — parente próximo da dieffenbachia, também contém oxalato de cálcio. A toxicidade é similar, embora geralmente menos intensa.
Toxicidade moderada
Calanchoe spp. e Euphorbia pulcherrima (poinsétia) — a poinsétia é frequentemente descrita como extremamente tóxica, mas estudos revisados mostram que a toxicidade real é baixa a moderada. O látex pode causar dermatite de contato e a ingestão geralmente resulta apenas em náusea leve.
Hedera helix (hera) — as folhas e frutos contêm saponinas triterpênicas que podem causar dermatite de contato e irritação gastrointestinal.
Prevenção prática
Não é necessário remover todas essas plantas de casa — a maioria dos acidentes acontece com crianças pequenas e animais de estimação que mastigam folhas por curiosidade. As medidas mais eficazes são: posicionar plantas tóxicas fora do alcance, identificar as espécies do seu ambiente, e ter o número do centro de controle de intoxicações à mão (no Brasil: 0800-722-6001).
Rumbeiha, W.K. et al. (2004)
Typing of lily intoxication in cats. Jornal de Veterinária Diagnóstica e Investigação, 16(6), 527-534.
Krenzelok, E.P. et al. (1996)
Euphorbia pulcherrima (poinsettia) exposure — an analysis of the Poison Center Data. American Journal of Emergency Medicine, 14(5), 526-528. DOI: 10.1016/S0735-6757(96)90077-4
Barceloux, D.G. (2008)
Medical Toxicology of Natural Substances: Foods, Fungi, Medicinal Herbs, Plants, and Venomous Animals. Hoboken: Wiley.