As 5 plantas mais antigas ainda vivas
Organismos vegetais que viram civilizações nascerem e morrerem — e continuam crescendo.
Quando se fala em organismos antigos, geralmente pensamos em tartarugas gigantes ou baleias. Mas os recordistas de longevidade na Terra são plantas — e por uma margem absurda. A diferença crucial está em como definimos "indivíduo": um clone que se reproduz vegetativamente por milênios compartilha o mesmo genoma, mesmo que suas partes acima do solo se renovem periodicamente.
Pando — o bosque clonal de Utah
Pando (Populus tremuloides) é uma colônia clonal de álamos tremedores no Fishlake National Forest, Utah, EUA. Estima-se que ocupe 43 hectares e pese cerca de 6.000 toneladas, o que o torna um dos organismos mais pesados do planeta. Todos os troncos acima do solo estão conectados por um único sistema radicular compartilhado — geneticamente idêntico.
A estimativa de idade varia: estudos de mutações genéticas sugerem entre 14.000 e 80.000 anos. A ampla variação reflete a dificuldade de datar com precisão tecidos subterrâneos que se renovam continuamente. O que se sabe é que Pando sobreviveu a múltiplas eras glaciais e está, atualmente, em declínio por excesso de pastoreio de cervos.
Old Tjikko — o pinheiro sueco de 9.550 anos
Descoberto em 2004 por Leif Kullman na montanha Fulufjället, Suécia, Old Tjikko é um Pinus sylvestris cujo sistema radicular foi datado por carbono-14 em 9.550 anos. O tronco visível tem apenas alguns séculos — o que persiste é a raiz, que rebrotou troncos novos ao longo de milênios toda vez que o anterior morria.
A crítica comum a essa idade é que "o indivíduo visível" é jovem. Mas geneticamente, a raiz e os troncos sucessivos são o mesmo organismo. É como dizer que um ser humano de 80 anos tem apenas a idade da pele mais recente.
Sarv-e Abarqu — o cipreste do Irã
O cipreste de Zoroastro (Cupressus sempervirens) em Abarqu, Irã, é um indivíduo único (não clonal) estimado com idade entre 4.000 e 5.000 anos. É um dos seres vivos individuais mais antigos do continente asiático e local de peregrinação religiosa há séculos.
Por se tratar de um tronco único sem clonagem, sua idade é mais aceita sem ressalvas — embora a datação exata de madeira viva permaneça difícil.
Jardim de granjeiro da Ilha de Palmela — Llareta do Chile
A llareta (Azorella compacta) dos Andes chilenos forma almofadas compactas e verdes que parecem musgo sobre rochas, mas são na verdade arbustos densos extremamente lentos. Espécimes estudados no Atacama foram datados em até 3.000 anos — crescendo apenas 1,5 cm por ano.
Methuselah — o pinheiro bristlecone
Antes de 2013, Methuselah (Pinus longaeva) era considerado o indivíduo mais antigo do mundo com 4.856 anos, na White Mountains, Califórnia. Em 2013, um indivíduo ainda mais velho da mesma espécie foi descoberto nearby — mas sua localização exata foi mantida em sigilo para proteção.
de Witte, J. & Stöcklin, J. (2010)
Longevity of clonal plants: why it matters and how to measure it. Annals of Botany, 106(6), 859-870. DOI: 10.1093/aob/mcq236
Kullman, L. (2008)
Palaeoecology of high-eilibrium-line stands: a 9000-year pine (Pinus sylvestris) tree-limit history. Geografiska Annaler: Series A, 90(4), 327-340. DOI: 10.1111/j.1468-0459.2008.00353.x
Rogers, C.M. et al. (2020)
Genetic variation and clonal structure in the quaking aspen (Populus tremuloides) clone "Pando". Ecology and Evolution, 10(15), 7970-7983. DOI: 10.1002/ece3.6488